Agenda artsy: exposições, filmes e peças para ter no radar - Agenda CariocaAgenda Carioca

Agenda artsy: exposições, filmes e peças para ter no radar

Uns prestes a sair de cartaz, outros a entrar. Dê uma olhada na nossa seleção de programas culturais imperdíveis para ter no radar entre março e abril.

CINEMINHA

A sala do Instituto Moreira Salles receberá uma seleção interessante na segunda quinzena de março, e é uma ótima desculpa para emendar com um café à beira da ‘piscina’ de Burle Marx. O destaque da vez vai para o Personal shopper, consagrado pela direção de Olivier Assayas em Cannes, mas que não deve ganhar destaque nas principais salas cariocas. Na tela, a jovem americana Maureen, interpretada por Kristen Stewart, mora em Paris e trabalha como “personal shopper” para uma celebridade local. A moça, porém, dividia com o irmão recém-falecido o dom de se comunicar com espíritos, o que gera uma discussão sensível sobre o mundo material e imaterial. Além dele, esta é uma nova oportunidade de assistir aos filmes brasileiro Mate-me por favor, de Anita Rocha da Silveira, além do coreano Invasão zumbi, de Yeo Sang-ho, a animação suíça Minha vida de abobrinha, de Claude Barras e Era o Hotel Cambridge, de Eliane Café. Uma vez a cada duas semanas, sempre às quartas-feiras, a sala ainda recebe o festival Ópera na Tela. Em março, serão exibidos Rigoletto Lúcia de Lammermoor.

Ainda para quem curte explorar o circuito alternativo, a 16ª Mostra do Filme Livre no Centro Cultural Banco do Brasil também precisa entrar na agenda. Entre os dias 29 de março e 24 de abril, o festival exibirá diariamente uma seleção de 200 filmes nacionais não-comerciais, em longas, médias e curtas-metragens, selecionados entre mais de 1000 inscritos, de todo o Brasil. Muitas, diga-se de passagem, terão a MFL como sua primeira e/ou única exibidora em cinemas. Acompanhe também os debates e inscreva-se na oficina de vídeo. Dá para passear pela programação e montar o seu roteiro pelo site www.mostralivre.com. Em tempo, a ‘Mostrinha do Filme Livre’ vai reunir produções voltadas para os pequenos aos fins de semana, saiba mais aqui.

NO TEATRO

A poucas semanas de encerrar a temporada no Teatro Maison de France, ‘O Escândalo Philippe Dussaert’, protagonizado por Marcos Caruso, vem conquistando vários prêmios. Caruso acaba de ser agraciado pelo consagrado Prêmio Shell como melhor ator, depois de terminar como o grande vencedor do Prêmio do Humor. Pois é, apesar de não se tratar de uma comédia óbvia, o fino humor da história que propõe uma reflexão sobre o que é e o que não é arte, rendeu o prêmio de melhor peça de 2016. Inédito no Brasil, o texto do dramaturgo francês Jacques Mougenot investiga os limites da arte contemporânea através da história de um escândalo do pintor fictício Philippe Dussaert. E na versão brasileira, Não conseguiu conferir a temporada no ano passado? Então programe-se: você tem este e o próximo fim de semana para ver Caruso em ação. Saiba mais aqui!

Da França à Califórnia. Apesar da famosa ponte em São Francisco ser o grande cartão postal do estado americano, é ela também o maior point de suicídio do mundo. Inspirado no documentário americano A Ponte, de Eric Steel, que relata este fenômeno, a peça Golden Gate, de Igor Cosso apresenta a história de seis brasileiros na cidade californiana. O roteiro tragicômico mescla dramas pessoais de seis personagens partindo de uma excursão hilária para a ponte, e o desenrolar traz até a morte fictícia da cantora Ivete Sangalo. Que todos vão morrer um dia, é fato, mas alguém vai morrer ali, pulando do alto da ponte Golden Gate. Quartas e quintas às 20h, até dia 6 de abril. Teatro Ipanema: Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema.

Por fim, chegamos à Portugal. Idealizada pelo ator Luis Lobianco, o espetáculo Gisbertarecém-chegado ao CCBB, mistura política, história, música, teatro, poesia e ficção para falar de uma trágica história real, da brasileira vítima de transfobia assassinada no Porto, após ser torturada por um grupo de 14 menores de idade. No palco, Lobianco dá vida a vários personagens que contam a história da transexual que atravessou o oceano para buscar um território livre, mas morreu no fundo do poço, afogada em ódio e água em 2006. Caçula de uma família com oito filhos, ainda na infância a protagonista já dava sinais de que estava num corpo que não correspondia à sua identidade, o que acompanha uma discussão bem atual. O caso ganhou destaque nas discussões sobre a transfobia, e ela se tornou ícone na luta para a erradicação dos crimes de ódio contra gays e transexuais em Portugal. Em 2016, dez anos após a sua morte, Gisberta foi amplamente lembrada no país através de reportagens, e em 14 de fevereiro de 2017, deu nome ao primeiro centro de apoio a população LGBT do norte de Portugal, “Centro Gis”, em Matosinhos, distrito do Porto. De quinta a domingo, às 19h30, até 30 de abril.

EM CARTAZ

Com um quê de interativa, a retrospectiva apresentada no CCBB honra a vividez do trabalho de Abraham Palatnik. Nela observamos as passagens do moderno ao contemporâneo, em uma das primeiras associações entre arte e tecnologia no mundo. Exemplo disso são os famosos Aparelhos Cinecromáticos. Ávido pesquisador sobre a luz e o movimento, foi em um dia de falta de eletricidade que veio a inspiração: a luz de velas se movendo nas paredes rendeu os cinecromáticos, caixa com lâmpadas cujo deslocamento era acionado por motor, criando imagens de luzes e cores em movimento. Com o cinecromático Azul e roxo em seu primeiro movimento, participou da I Bienal Internacional de São Paulo, em 1951. O trabalho, inicialmente recusado por não se encaixar nas categorias de pintura ou escultura, só entrou porque a delegação do Japão deixou de vir, liberando espaço para a obra inovadora. Por fim, terminou com Menção Honrosa pelo júri internacional da Bienal. Quarta a segunda, das 9h às 21h. Teatro do CCBB: Rua Primeiro de Março 66, 2º piso.

Em tempos de discussão sobre a reforma previdenciária, o Espaço Cultural do BNDES lança um olhar sensível ao tema. A exposição Assis Horta: Retratos traz o acervo do fotógrafo que registrou em seu estúdio em Diamantina os primeiros operários que precisavam do retrato 3×4 para a recém-criada carteira de trabalho nos anos 1940. Sob o intuito de legalizar sua relação profissional com a indústria local, aquelas foram as primeiras fotos de inúmeros brasileiros, o que seduziu vários deles a voltarem ao estúdio de Assis para posarem com suas famílias. O resultdo foi um material valioso que registra um momento histórico do país. Para a exposição foram selecionadas nada menos que 200 fotografias, que foram impressas em diferentes formatos. A curadoria é do pesquisador Guilherme Rebello Horta, que descobriu e revelou para o público a importância deste acervo, que se tornou referência na memória brasileira. Segunda a sexta, das 10h às 19h, até 5 de maio. Av. Chile, 100, Centro. 

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