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Carioca desenvolve trabalho de coaching para moradores em situação de rua

Diego*, de 27 anos, vende balas em ônibus e vivia nas ruas. Foi passando por uma praça no Leblon que viu que ali acontecia um projeto social que poderia socorrê-lo. Há quatro meses foi abraçado pelo Projeto Ruas, que o ajudou a tirar documentos e, com o seu progresso, Diego hoje mora em um conjugado em Santa Cruz. Com os voluntários encontrou ajuda não apenas para resolver problemas burocráticos e apoio social, mas também suporte emocional com atividades de coaching. É, isso mesmo, coaching. “Aprendi a meditar e isso ajudou muito no meu dia a dia. Às vezes vendendo balas nas ruas me bate uma raiva, a gente fica estressado, mas aprendi a fechar os olhos e a sentir meu corpo, e isso me ajuda a manter a calma”, diz Diego.

O coaching para moradores em situação de rua pode, à princípio, parecer supérfluo para pessoas com necessidades básicas tão urgentes. Mas basta uma visita às rondas ou uma conversa com alguém sem teto para perceber que nossos problemas internos não dependem de classe, profissão, estudo ou estilo de vida. As dúvidas, inseguranças, medos, bloqueios estão presentes em todos nós, independente da condição social. E foi observando o comportamento humano que o coach Arnaldo Neto decidiu levar seu trabalho para as rondas do Projeto Ruas.

Arnaldo desenvolveu um método que chama de “Vivendo de Propósito”, em que trabalha a descoberta do propósito como ponto de partida para a resolução de qualquer objetivo. “É isso que traz mais força de vontade e por isso facilita que qualquer objetivo secundário seja alcançado”. Pelo menos uma vez ao mês, Arnaldo participa da roda de conversas do Ruas no Leblon e pratica diversas atividades com os assistidos. Foi lá que conheceu Dorinha*, que mesmo após sair das ruas estava desmotivada e sem perspectiva.

Em uma das atividades guiadas por Arnaldo, Dorinha fez um desenho representando o seu maior sonho:  trabalhar no clube de seu time do coração, o Flamengo. Foi então que Arnaldo entrou em contato com o ex-jogador Nunes, que conseguiu uma entrevista para ela no clube. “Dorinha ainda não conseguiu o tão sonhado emprego, mas o simples fato de ter sido ser recebida e entrevistada já a motivou a seguir em progresso. Novas vagas serão abertas no início do ano que vem, quem sabe ela não conquista seu sonho?”.

Nas dinâmicas aplicadas com os assistidos, Arnaldo trabalha com exercícios que reforçam a segurança, a confiança, a auto-estima e a força de vontade. “Difícil dizer quem ganha e aprende mais, se eu ou eles”. Além do Projeto Ruas, o coach também participa de outros dois projetos sociais: o Aldeias Infantis conciliando duas paixões: o coaching e o futebol, lembrando do tempo em que era jogador; e o Basquete da Cruzada, em que aplica a dinâmica de coaching após as aulas do esporte.

*Os nomes das pessoas assistidas foram modificadas para preservar suas identidades. 

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