Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocam álbuns clássicos da Legião Urbana em show no Rio - Agenda CariocaAgenda Carioca

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Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá tocam álbuns clássicos da Legião Urbana em show no Rio

Dois álbuns que marcaram uma geração – e com hits entoados por todas as outras que vieram a seguir – ganharam uma turnê de comemoração pelos seus 30 anos. Os badalados “Dois” e “Que País é Este”, da Legião Urbana, são celebrados em um show que une Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, integrantes originais da banda, e André Frateschi, que assume os vocais.  A turnê, que vai seguir até abril de 2019, chega ao Rio de Janeiro neste sábado, dia 15, para um show no Km de Vantagens Hall, na Barra. 

Voltemos um pouco no tempo, para 1986. Era o ano do lançamento do Plano Cruzado, da tragédia de Chernobyl, da explosão do ônibus espacial Challenger matando seus sete tripulantes, da argentina campeã com gol de mão de Maradona. Na TV, as famílias suspiravam com o amor de Lurdinha e Marcos em “Anos Dourados”, minissérie de Gilberto Braga; e nas rádios e nas vitrolas, o rock fazia a cabeça dos jovens. E foi um baita ano para o rock nacional. Teve o lançamento do “Rádio Pirata Ao Vivo”, do RPM; do “Cabeça Dinossauro”, dos Titãs, e do “Dois”, o esperado segundo álbum da Legião Urbana.

Da gravação, o guitarrista Dado Villa-Lobos lembra da insegurança tão típica da juventude. “Talvez o Renato tivesse uma noção mais concreta, mas nós éramos um pouco inseguros e não sabíamos exatamente o que estávamos fazendo”. Renato Russo planejou com detalhe este segundo álbum e, antes de começar a gravar, entregou a Dado uma fita cassete com grandes nomes tocando violão, que deu base para canções quase acústicas como Quase Sem Querer, Eduardo e Mônica e o final de Tempo Perdido. Ao mesmo tempo, muitas decisões eram tomadas conforme as gravações fossem acontecendo. É o caso da música Índios, que era para ser apenas instrumental.  “Já estavam mixando quando o Renato chegou com a letra, cantou e você vê que a música termina e a letra quase não encaixa, aí termina o disco daquele jeito”, lembra Dado.

Os anos 1980 eram extremamente promissores para o rock nacional mas, ao mesmo tempo em que surgiam novas bandas, outras tantas desapareciam após o segundo lançamento. Soma-se a isso as incertezas na economia com a inflação galopante e o cenário político do país após o fim da ditadura militar e da morte de Tancredo Neves. “Era um momento desafiador, de muita cobrança e expectativa. A gente estava em um processo de mudança de Brasília para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que fazíamos shows no interior, levando uma vida desregrada demais, para ainda termos que ir para a gravadora e compor. Foi uma fase complicada, mas isso tudo fez com que colocássemos uma lente de aumento neste trabalho e saíram coisas belíssimas”, explica o baterista Bonfá.

“Dois” é apontado pela crítica especializada como o melhor álbum da banda e um dos mais significativos do rock brasileiro, o que aumentou a pressão para o terceiro trabalho.

“Que País é Este” foi lançado um ano depois e tinha uma pegada mais rebelde, mais punk, com muitas músicas do Aborto Elétrico, a banda anterior do Renato Russo.  “O disco foi gravado na intenção de fechar a trilogia dos álbuns com canções anteriores à nossa contratação pela EMI. É praticamente uma continuação do primeiro, com algumas que ficaram de fora do ‘Dois'”, diz Dado.

Os dois álbuns que embalam a nova turnê possuem, juntos, os maiores sucessos da Legião, com letras que resistem ao tempo, mesmo quando levantam bandeiras políticas. A música que dá nome ao título, por exemplo, é um dos antigos sucessos do Aborto Elétrico, escrita ainda nos anos 1970, e segue atual. “Cantávamos Que País é Este em 1979, quando o nosso presidente era o João Figueiredo.  Agora a gente tem um presidente de esquerda preso e uma eleição bem embolada e complicada vindo por aí. Infelizmente ela continua sendo atual”.

Apesar de a banda ter sido sempre taxada como “muito politizada”, os versos de amor são frequentes, além de ser um tema universal e atemporal, como define o guitarrista. “A maioria das letras ainda se faz perfeitamente audível e perceptível e continua com essa possibilidade transformadora. Músicas como Será e Ainda é Cedo são atemporais. Eu ouço e ainda percebo coisas que até então não tinha notado”. Algo que, pelo visto, acontece com todos os fãs. Um post no Twitter questionando uma ambiguidade na letra de Eduardo e Mônica gerou muita discussão nas redes sociais. No trecho “A Mônica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar” fica a dúvida: quem tentava impressionar? O Eduardo ou a Mônica? “Claro que é ela! Mônica estava tentando interagir, mas ele só pensava em ir para casa. Essa música tem mais de 35 anos. Naquela época, um moleque de 16 anos ainda não se ligava nisso, ele ainda jogava futebol de botão com o avô”.

A nova turnê fecha o ciclo de comemorações de lançamento da trilogia formada pelos três primeiros álbuns da banda, que começou como show “Legião Urbana XXX anos”, do homônimo “Legião Urbana”, em 2015. E o que esperar daqui para frente? A banda não descarta uma celebração nos palcos do “Quatro Estações”, outro álbum marcante da Legião. “Mas vamos pensar sobre isso mais adiante. No momento vamos focar no ‘Dois’ e ‘Que País é Este’ e em fazer um grande show”, encerra Dado.

DADO VILLA-LOBOS E MARCELO BONFÁ TOCAM DOIS + QUE PAÍS É ESTE
Km de Vantagens Hall  (Av. Ayrton Senna 3000,  Barra da Tijuca)
15 de setembro às 22h
Ingressos: premier.ticketsforfun.com.br

Fotos: Fernando Schlaepfer (iHateFlash)

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