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‘Muitos Homens num Só’ leva obra de João do Rio às telonas

Os fãs do trabalho do cronista que captou como poucos o espírito do Rio de Janeiro precisam abrir espaço na agenda para conferir o novíssimo Muitos Homens num Só. O filme de Mini Kerti é uma releitura do livro Memórias de um Rato de Hotel, obra incrível e bem pouco conhecida deixada por João do Rio. 

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Na versão para o cinema, Vladmir Brichta deixa de lado os trejeitos cômicos dos últimos trabalhos para a TV e encarna o criminoso Arthur Antunes Maciel, que acabou conhecido como Dr. Antônio, um ousado ladrão de hoteis que usava diferentes nomes para aplicar seus golpes. Sem a menor pinta de bandido, o bon vivant “flanava” pelas ruas do Rio enquanto a polícia se desdobraba para encontrá-lo sob a orientação de Félix Pacheco que, interpretado por Caio Blat, procura um método de identificação capaz de encontrar, organizar e catalogar os cidadãos.

Ficção e realidade se misturam em um roteiro delicioso. O filme romanceia a história que perturbou os cariocas da época, e o roteiro deslancha quando, entre um furto e outro, o personagem se apaixona por Eva, uma mulher infeliz no casamento interpretada por Alice Braga. É aí que o ladrão vê sua liberdade colocada em risco. Tudo isso tendo como cenário um Rio dividido entre dois mundos, a marginalidade e a nobreza, espalhados por uma cidade atenta às descobertas e em transformação. O próprio João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto, inspirou o divertido colega de profissão de Pacheco. “Para mim são todos reais e, ao mesmo tempo, fictícios”, explica Mini Kerti. “Este é o meu Dr. Antônio e ela, a minha Eva. Não estou tratando de um personagem histórico do peso de um Getúlio Vargas. Meu compromisso com a realidade é bem menor. Recriamos uma época com bastante liberdade e criamos uma história livremente inspirada em personagens reais e fictícios”, complementa.

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À título de curiosidade, a diretora Mini Kerti conta que chegou ao roteiro graças a uma destas “coincidências maravilhosas do mundo dos livros”. A editora Anna Dantes, amiga de longa data, foi apresentada ao livro Memórias de Um Rato de Hotel por Plinio Doyle, durante um encontro ao acaso, pouco antes dele morrer. “Foi ele quem atribuiu a autoria do livro a João do Rio, pois na sua versão, original de 1912, o próprio Dr. Antônio assinava a obra. Em 2000, a Dantes Editora lançou o título e eu me encantei com a história, que me lembrou filmes antigos que eu adoro, como “Ladrão de Casaca”, “Ladrão de Alcova” e “Pickpocket”, contou Mini.

Como jornalista, o autor publicou diversas matérias sobre o Dr. Antônio nos jornais para os quais colaborava – A Gazeta de Notícias e A Notícia – segundo confirmação de João Carlos Rodrigues, que assina o posfácio do livro. “É interessante esse caráter do livro como guardião das histórias através do tempo, pois se esse livro não tivesse sido publicado, quem, hoje, ouviria falar desse verídico ladrão do inicio do século XX?”, questionou a diretora.

O filme marca ainda a estreia dela à frente de um longa de ficção. A carioca tem um currículo eclético, que vai desde o programa Superbonita do canal de TV pago GNT ao aclamado documentário Contratempo, codirigido por Malu Mader. No meio disso tudo, Mini dirigiu videoclipes, docs e séries recentes como Preamar, da HBO e Andre Midani – Do Vinil ao Download no GNT. Agora, ela conseguiu levar às telonas o mesmo tom do autor da obra. A história é complexa, mas o roteiro é leve. Prepare-se para deixar de fora da sala toda a sua ética, moral & bons costumes (alô, alô, família tradicional brasileira) para se apegar a este personagem rebelde e cativante. (via MARIANA BROITMAN)

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