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Novo livro de Ricardo Amaral traça roteiro de memórias cariocas

Depois do sucesso do Guia Boni & Amaral e do Rio Book, Ricardo Amaral celebra a carioquice e se debruça sobre as memórias que contribuíram para a formação ​do Rio de Janeiro. (por MARIANA BROITMAN) 

O que João do Rio, Madame Satã, Rubem Braga, Leila Diniz e o Clube dos Cafajestes tem em comum? Todos, de alguma forma, marcaram a história da cidade. Não a que os registros acadêmicos contarão, claro, mas as que contribuíram para que o carioca ganhasse essa personalidade caricata que conquistou o mundo. Também não curto generalizações. Mas há de se admitir, parafraseando Caetano, “o carioca tem um jeito”…

É esse jeito que Ricardo Amaral e Raquel Oguri, autora do Manual de Sobrevivência em São Paulo – um guia para cariocas e simpatizantes, esmiuçam em seu A Cara do Rio. Com a intenção de celebrar a carioquice, reuniu em quase 500 páginas de textos fluidos e fotos incríveis, trejeitos icônicos que marcaram os mais de 450 anos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Editado pela Editora Sextante, em parceria com a Rara Cultural, o novo livro resgata histórias do período do descobrimento, e como a dupla destaca logo no prefácio, o objetivo é  “apresentar informação histórica quente”. Para isso, foram atrás de pequenas grandes histórias perdidas em livros não mais editados, revistas empoeiradas e artigos científicos capciosos. O resultado foi um compilado divertido que, apesar de eu ainda não ter terminado de ler enquanto digito, não sai da minha cabeça.

O bom humor dá o tom de cada texto, e o próprio Ricardo pede licença para escrever em primeira pessoa quando convir. Afinal, apesar da certidão paulistana, já são mais de cinquenta anos vivendo na Cidade Maravilhosa junto da esposa carioca-da-gema, Gisela Amaral, e é dele o título de “Rei da Noite” carioca. “Como bons cariocas que somos, não vemos sentido em rir sozinhos. Redescobrir parábolas sobre a nossa cidade não teria a menor graça se não compartilhássemos essas peculiaridades. Estamos falando daquelas perdidas em lugares como livros não mais editados, revistas cobertas de poeira e artigos científicos desafiadores”, revela.

a cara do rio capaQuem sabia, por exemplo, que o uso da Cannabis era incentivada pela Coroa Portuguesa? Sim, com direito a propaganda pró-baseado nos jornais. Ou que, bem antes do futebol, o Rio era a terra das touradas? Pois é, e foi na rua Ipiranga, em Laranjeiras, que o esporte ganhou ar oficial, com direito à uma praça de touros fixa. Mas nem só de histórias cômicas dá-se o livro. A dupla lembra, por exemplo, que o surgimento dos bondes possibilitou o crescimento da literatura. As famosas rodas animadas de intelectuais, como Machado de Assis e Gonçalo Coelho, na rua do Ouvidor, se mantiveram durante muito tempo, graças à facilidade de ir e vir que o novo transporte proporcionava. E lembra com carinho ainda, como os escritores se dividiam quando o assunto era o Catete: enquanto Rubem Braga cuidava de preservar a memória afetiva do bairro em uma série de crônicas, Mario de Andrade crucificava a região pela falta de limpeza. “Se a Higiene quisesse agir, creio que condenaria toda a Rua do Catete”, dizia.

“A verdade é que nosso modelo é livre, bem carioca. Ao terminar, percebemos quanto é eclética essa nossa seleção de historinhas. Quem sabe mesmo estapafúrdia. É uma colagem despretensiosa de fatos, buscando encontrar uma cara para o Rio”, concluem os autores. Em outras palavras, o livro é um carinho na memória dos cariocas apaixonados pela cidade que, entre os trancos e barrancos, mantém a sua aura maravilhosa.

A novidade já está disponível nas principais livrarias cariocas – e você compra online aqui -, mas nesta segunda-feira, 11 de abril, ganha lançamento oficial comandado pela dupla na tradicional La Fiorentina, reduto da música, do teatro e da noite carioca dos anos 1980, com direito a reforço da banda Põe na Quentinha?, que garante o clima de festa. Confirme sua presença aqui!

2 Comentários

  1. Charles Agostinho
    8 de Abril de 2016

    Já quero!

    Responder

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