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Orquestra Afro-Brasileira exibe espetáculo de graça na Internet
Por Agenda Carioca | Publicado em 10 de maio de 2021
Dia 13 de maio não é um dia para se comemorar, mas para resistir. Há 133 anos, Princesa Isabel, em um ato político, assinava a Lei Áurea. A escravidão ainda deixa marcas profundas no nosso país e a Orquestra Afro-Brasileira decidiu apresentar um show para convidar o público à reflexão e luta contra discriminação. O espetáculo “Orquestra Afro-Brasileira em Cena” foi gravado no dia 29 de abril, no Armazém da Utopia (RJ), e será exibido no dia 13/05, às 19h, no canal Cultne, no Youtube.
No repertório, músicas em português e língua de matriz africana. É um desfile de ritmos e estilos afro-brasileiros que vão desde a Hamunha, Aluja e Agabi, passando pelo Maracatu, Arrebate e Cabula e indo até o Ijexá, Moçambique, Congo e Opanijé. As composições são do maestro Abigail Moura e de Carlos Negreiros.
A Orquestra Afro-Brasileira ficou 40 anos fora dos palcos, mas ao retornar, em 2017, para lançar o CD intitulado “Orquestra Afro-Brasileira 75 Anos”, surpreendeu o cenário artístico nacional pela qualidade da obra dotada de uma sonoridade única assinada pelo músico, compositor e barítono Carlos Negreiros. A orquestra resgatou, em grande estilo, a primeira experiência de erudição da música negra no Brasil.
Formada por profissionais com larga experiência no Brasil e no exterior, sendo 05 percussionistas, 03 trompetes, 03 trombones, 02 saxes altos, 02 saxes tenores e 01 sax barítono, também trás Negreiros como cantor. O resultado é uma sonoridade contemporânea, característica das obras ditas universais
A idéia da apresentação nasceu para possibilitar o contato do público com música de valor histórico e simbólico, que evidencia a herança multicultural do país: as matrizes africanas na apresentação de seus instrumentos percussivos e as matrizes européias na forma de seus instrumentos clássicos.
Abigail Moura: início de tudo
Criada pelo maestro Abigail Moura em 1942, a Orquestra Afro-Brasileira, inovou ao fundir os ritmos ancestrais africanos à música erudita, dando protagonismo à percussão, que além de reger a criação musical foi disposta à frente dos demais instrumentos no palco conferindo ao trabalho uma forte carga simbólica.
Reconhecida pela intelectualidade musical dos anos 40 e 50 como um marco da música brasileira, definida por alguns como “exótica”, “difícil” e “nada comercial”, a orquestra foi contemporânea aos movimentos da Frente Negra Brasileira (1931-1937) e do Teatro Experimental do Negro (1945-1961).
Apesar de extinta na década de 1970, a Orquestra tornou-se a primeira e principal referência artística brasileira da chamada música negra de concerto. É a guardiã de um tesouro musical de ritmos, composições e estética únicos no universo da música de concerto brasileira. Foram feitos dois registros em vinil (1957 e 1968).
Músicos: Carlos Negreiros, Marcelo Amaro, Jovi Joviniano, Murilo O’Reilly, Pedro Lima, Rodrigo Revelles, José Maria, Tino Júnior, Marcelo Caldi, Rafael Nascimento, Levi Chaves, Diogo Gomes, Gesiel Nascimento, Sérgio de Jesus, Bebeto Germano e Carlos Vega.
Repertório: AgôLonã; Tire o Calundu; Os oinhos de Iaiá; Sobras que sofrem; Saudação ao Rei Nagô; Lembarenganga; Preto Velho Iaiá; Damurixá; Não há Damurixá/Palmares; Canto de Omulo/Obaluayê; Xangô/Sou de Yorubá; Salve a Raça Brasileira.
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Ficha técnica: Diretor Artístico: Carlos Negreiros; Diretor Musical e Arranjador: Caio Cezar; Coordenação Geral e Produção Executiva: Cély Leal; Diretora de Produção e Designer: Daniele Mazzer; Assistente de Coordenação e Mídias Sociais: Patrícia Nantes.