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Para todos: Professora leva crianças da rede pública em um passeio pela literatura

“A professora que vive em mim anda transbordando alegria e ânimo”.  Há dois anos, esses são os sentimentos que permeiam a alma da pedagoga Helena Lima, que decidiu abandonar a sala de aula para levar mais além a sua ideia de que a educação é o caminho para a mudança, enfatizando no poder da literatura. À frente da editora Lago de Histórias, Helena tem se dedicado ao projeto Literatura Para Todos, uma iniciativa para levar alunos de escolas públicas à Casa Cultural, sede da editora na Urca, para um dia recheado de leituras e aprendizado. “Acredito que o direito à educação, ao acesso à cultura e ao leque de possibilidades maravilhosas de se ter um bom livro nas mãos deve ser apresentado a toda e qualquer criança, sem restrições sociais”, conta. 

Alunos da escola municipal México com a autora de ‘Bilica chorona’, Isabelle Borges

Com o leque aberto e à disposição da criançada, Helena engaja em uma verdadeira viagem literária que dura quase três horas. Durante a visita, a criançada tem a chance de mergulhar nos bastidores da produção de uma obra, entendendo desde a base até o produto final, e, claro, nas histórias presentes nos livros que estão espalhados pelos ambientes da casa. “As crianças entram em contato com inúmeras histórias, são convidadas a experimentar momentos de “olho no olho”, mergulhando nas profundezas dos conteúdos das histórias, sendo estimuladas a observar a presenças das narrativas na vida cotidiana. É um contato lúdico com os livros, sem obrigações ou pressões”, explica Helena.

A cada página, a cada personagem e a cada experiência lida, a vontade de espalhar aprendizado presente nas palavras cresce cada vez mais. No entanto, a vida é escrita em linhas tortas e que estão totalmente fora do controle de Helena. A busca por incentivo caminha lado a lado com a esperança que ela tem no projeto e na literatura. A ideia é que uma empresa-parceira adote uma escola por ano e viabilize as viagens à Editora dessas crianças da rede pública, possibilitando o transporte necessário e a aquisição de algum livro da editora, como “Bilica Chorona” ou “Vicky”, autografado pelo autor ao fim da visita. Este ano, por exemplo, em maio e junho, apenas a Escola do México foi a beneficiada das propostas do projeto. E ainda assim somente por conta dos incentivos pessoais da idealizadora.

Espaço na Lago de Histórias

Mesmo com todos os obstáculos, Helena não tem dúvida de que cada centavo gasto ou estresse vale a pena quando o resultado final vem como encantamento. Segundo a professora, as atividades propostas na visita renderam frutos que, como ela sempre buscou, caminharam para além das paredes escolares. “Fizemos uma atividade em que as crianças confrontaram os temas de algumas das histórias (o medo, a insegurança, a morte, a vida no morro) à própria realidade. Teve lágrima, sorriso, possibilidade de falar sobre o que se sente. Depois da visita, de volta à escola, as crianças desenvolveram produções artísticas a partir dos livros e sentiram-se motivadas a realizar trocas de livros entre elas”, conta.

É assim que Helena Lima segue em frente com o projeto: agarrada nesses momentos que provam que literatura é transformação, não importa quanto tempo leve. E se depender dela, pode levar o tempo que for, pois ela não vai desistir. Afinal, “meu maior projeto é transformar o mundo dentro de pequenos quintais” e essa é a única garantia que ela precisa para seguir contando as histórias que passam pela sua editora e pelo seu caminho.

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