‘Quando o mar virou Rio’: exposição resgata a relação do carioca com o mar – Agenda Carioca

‘Quando o mar virou Rio’: exposição resgata a relação do carioca com o mar

Museu Histórico Nacional estendeu a canga e abriu o guarda sol para receber a exposição Quando o mar virou Rio, que explora a história da relação dos moradores do Rio com a praia.

Partindo do batismo da cidade, quando os portugueses, por engano ou peculiaridades linguísticas, entenderam a baía como um rio, desenrola-se a narrativa que comprova que, apesar de chamada Rio, a cidade é abraçada pelo mar. Com o auxílio de artistas de diferentes épocas e técnicas, a mostra passeia por curiosidades como o fato de que os médicos receitavam banhos de mar para curar doenças de pele ou respiratórias. A seleção traz peças vindas de acervos importantes como a Biblioteca Nacional e o Museu da Imagem e do Som, além de coleções de fotógrafos como Augusto Malta e Alair Gomes – foto. Malta retratou a evolução urbana da cidade pelo prefeito Pereira Passos, nas primeiras décadas do século XX, enquanto Alair foi o precursor da fotografia homoerótica, voyerística, a partir do final dos anos 60.

Um dos pontos altos da mostra são as duas fotografias raras da americana Genevieve Naylor, que foi contratada pelo governo de Franklin Roosevelt nos anos 40 para criar uma imagem de Brasil bem aceita nos Estados Unidos. Ela se encantou pela cultura brasileira e voltou para casa com mais de 1300 fotos incríveis, retratando o cotidiano da Praia de Copacabana, por exemplo, que vivia o seu auge. As imagens foram cedidas pelo seu filho e são praticamente desconhecidas aos olhos do público. “Gostamos de pensar que a exposição é uma ode ao movimento da cidade, que começa com a vinda dos primeiros índios que buscavam a terra sem males, passa pelos navegantes portugueses e é porto de partida e chegada de produtos, pessoas e influências de além mar, até quando o Rio se volta literalmente para a praia, desaguando numa paixão do carioca por ocupar a orla de diferentes maneiras”, explica o curador Diogo Rezende.

Através de 130 obras, entre gravuras, fotografias e instalações, essa conexão será resgatada ainda pelo viés da moda, dos esportes e até do ideal de carioquice que ganhou fama no mundo inteiro. O fotógrafo Rogério Reis, por exemplo, foi convidado a participar com os ensaios Surfista de Trem e Ninguém é de Ninguém. O primeiro, de 1989, mostra o esporte radical praticado por jovens nos trens do subúrbio do Rio. O segundo, realizado entre 2010 e 2014, faz as vezes de um manual de como fotografar na praia, trazendo à tona as questões que cercam os direitos de imagem. Os recortes áreas de Bruno Veiga das Pedras Portuguesas dos calçadões também participam, além dos ensaios que Júlio Bittencourt fez do Piscinão de Ramos.

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Ficou curioso? Põe na agenda: Quando o mar virou Rio entra em cartaz nesta sexta-feira no Museu Histórico Nacional, e fica por lá até o fim de maio. (por MARIANA BROITMAN)

QUANDO O MAR VIROU RIO
Museu Histórico Nacional: Praça Marechal Âncora, s/nº, Centro
De 24 de março a 28 de maio de 2017
Ter. a sex., das 10h às 17h30; sáb., dom. e fer., das 13h às 17h
Ingressos: R$ 10 a inteira

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