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Teatro no antigo Edifício Manchete reabre com visual de encher os olhos

Quase 20 anos se passaram desde que o Teatro Adolpho Bloch, no antigo Edifício Manchete, fechou as portas. Muitos que passavam por ali se encantavam com a genialidade arquitetônica de Oscar Niemeyer e com a beleza do paisagismo de Burle Marx e se perguntavam “como um lugar como esse pode estar fechado?”. Tanto questionaram que agora, nas mãos da Aventura Entretenimento em parceria com a seguradora Prudential do Brasil, o espaço cultural, um dos patrimônios tombados da cidade, renasce melhor do que nunca a partir deste fim de semana para celebrar a nova fase: a peça “Pi – Panorâmica Insana” começa a temporada no Rio nesta sexta-feira, dia 24, e fica até o fim de junho em cartaz.

Ney Latorraca foi o mestre de cerimônias da festa de inauguração do Teatro Prudential nesta terça-feira, dia 21. (Foto: Leo Marinho)

Projetado nos anos 60 por um desejo de Adolpho de “um dia vamos trabalhar de frente para o mar”, o teatro, que completa o espaço no qual por anos jornalistas circularam com as últimas notícias do Brasil e do mundo, fez história ao receber grandes espetáculos e artistas, como Marília Pêra, Sônia Braga, Ney Latorraca. É inegável a força desse legado para a história cultural brasileira e, portanto, ela não poderia passar despercebida por aqueles que buscam exatamente incentivar e exaltar essas produções, como os novos investidores. “Esse é um teatro com um componente espiritual muito forte para ficar parado. Basta olhar para os nomes que subiram neste palco para não ter dúvidas”, conta Luiz Calainho, um dos sócios da Aventura junto à Aniela Jordan, durante a coletiva de imprensa que aconteceu nesta terça-feira, dia 21.

Se no ano de inauguração a primeira peça em cartaz foi o “Homem de La Mancha”, hoje quem assume essa responsabilidade é o espetáculo Pi, que finalmente, apesar dos pesares, chega ao público carioca. “Estamos muito felizes. Desde que começamos, nós queremos trazer esse espetáculo para a nossa casa. Nós passamos por todas as dificuldades”, conta Cláudia Abreu. Idealizado pela atriz ao lado de Luiz Henrique Nogueira, um dos protagonistas, a obra aborda por meio de 150 personagens diferentes questões pertinentes ao mundo contemporâneo, como violência, sexualidade e afeto, a fim de refletir de levantar algumas questões que se perdem na correria do cotidiano: Quem somos? Onde estamos? Para onde vamos? “A gente fala em cena tudo o que queremos falar, tudo o que é pertinente para o momento em que vivemos”, diz Luís que atua também ao lado de Leandra Leal, Rodrigo Pandolpho e a própria Cláudia.

Pi – Panorâmica Insana estreia nesta sexta-feira no Teatro Prudential e fica em cartaz até o fim de Junho.

Eleito o Melhor Espetáculo do Ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, Pi, um caos organizado que “diz a que veio com muita garra”, como afirma Rodrigo, foi a escolha perfeita para a reinauguração diante desse momento de desmonte cultural não somente por trazer as problemáticas – e às vezes comicidade – do mundo real em cena, como também por já ter levado essa história para reabrir um outro teatro: o Teatro Novo, em São Paulo, também fechado por falta de investimentos. “Que coisa mais linda a gente estar inaugurando esse teatro, é muito simbólico, considerando o momento que vivemos. Essa é exatamente a nossa hora de ataque”, reflete Leandra Leal, que já tem uma história com o espaço por ter passado uma parte da vida pelos corredores ao lado da mãe, que trabalhou na Manchete.

À frente da Aventura Entretenimento, Luiz Calainho e Aniela Jordan celebram inauguração d novo teatro ao lado de famosos e com apresentação de diversos musicais brasileiros. (Foto: Leo Marinho)

É com esse pensamento que os novos nomes por trás do Teatro Prudential – Sala Adolpho Bloch reabrem-no. Se de um lado a ideia é atacar com cortes financeiros, da parte deles a única arma utilizada é uma programação de peças faladas, shows e espetáculos de dança que promete receber o público e artistas com o maior conforto: além do palco de 140m², cinco salas de ensaio, foyeur de convivência e um bistrô para almoços e jantares já estão no aguardo dos visitantes. Nos próximos meses, o teatro recebe “A Vida Em Vermelho – Brecht Piaf” com Letícia Sabatella, “Sísifo”, do Gregório Duvivier, e a partir de julho uma agenda infantil também passa a fazer parte da casa. A semente já foi plantada e se depender dessa vontade de manter viva a arte brasileira os idealizadores do projeto – e os artistas – vão continuar indo “a favor da maré, a favor de cada um dos brasileiros, porque no fundo somos nós quem vamos mudar o país”, reflete Calainho.

2 Comentários

  1. Barbara Rozwadowski
    22 de maio de 2019

    Que Maravilhosa notícia que vocês recuperam este patrimônio do Rio! Com certeza, irei prestigiar em breve!!!

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  2. Isabel Cristina da Silva Teixeira
    23 de maio de 2019

    Parabéns a todos que se empenharem nessa luta.
    Será muito bem vindo.
    Salve a Cultura
    Muito obrigada.

    Responder

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