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CCBB recebe ‘Playmode’ e usa jogos para debater temas sociais e condição humana
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 20 de julho de 2022
Desconstruir, modificar, subverter, aprender, socializar. Os infinitivos dos jogos de diferentes épocas e espectros nos trazem mais que experiências lúdicas e sensoriais. Para a nova mostra em cartaz no CCBB, Playmode, também é arte.
Realizada ela primeira vez no Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia – MAAT, em Portugal, a mostra tem curadoria dos portugueses Filipe Pais e Patrícia Gouveia. Artistas de diversas nacionalidades, sete deles brasileiros, incorporaram em suas obras todo o potencial lúdico dos games para desconstruir modelos e propor reflexões profundas sobre temas sociais e da condição humana.
Playmode divide os trabalhos dos artistas em três grandes eixos. O primeiro, o maior deles, traz obras que exploram os modos de jogar, através de mecanismos já conhecidos da sociedade. Entre as obras presentes, o protótipo do “Xadrez Auto-Criativo” (2019), de Ricardo Barreto e Raquel Fukuda, que a partir de seis tabuleiros propõe uma reformulação do xadrez clássico.
O segundo eixo pede uma atenção mais profunda dos visitantes: além da participação ativa nos jogos, mobiliza-se a consciência das decisões tomadas ao longo da partida. Um exemplo é “Everything” (2017), de David OReilly, que apresenta um game de simulação em que o jogador pode explorar diferentes criaturas e objetos, adquirindo paisagens e planetas, enquanto tem acesso a citações narradas pelo filósofo Alan Watts, conhecido por popularizar reflexões filosóficas de pensadores clássicos e modernos.
O terceiro e último eixo evidencia o poder dos jogos em construir sonhos e a capacidade de promover o deslocamento do jogador para espaços imaginários. Um dos destaques é o vídeo "For a Better World" (2012), da artista portuguesa Priscila Fernandes.
Estão presentes na mostra artistas e estúdios, produtores e coletivos da Alemanha, Brasil, Croácia, Estados Unidos, França, Grécia, Nova Zelândia, Portugal e Japão. São eles: Aram Bartholl, Bill Viola + Game Innovation Lab, Bobware, Brad Downey, Brent Watanabe, Coletivo Beya Xinã Bena + Guilherme Meneses, David OReilly, Filipe Vilas-Boas, Harum Farocki, Isamu Noguchi, Jaime Lauriano, Joseph DeLappe, Laura Lima + Marcius Galan, Lucas Pope, Mary Flanagan, Mediengruppe Bitnik, Milton Manetas, Molleindustria, Nelson Leirner, Pippin Barr, Priscila Fernandes, Raquel Fukuda + Ricardo Barreto, Samuel Bianchini, Shimabuku, Tale of Tales (Auriea Harvey e Michaël Samyn) e The Pixel Hunt.