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O boom do vinho fluminense: Terrabenta estreia colheita em Paraíba do Sul

Por Alessandra Carneiro | Publicado em 7 de julho de 2025

Por muito tempo, quando se falava em vinhos brasileiros, o Rio de Janeiro ficava fora da taça. Mas os tempos mudaram, e o que antes era um cenário quase inexpressivo no mapa vitivinícola do país, hoje se transforma em terreno fértil para uvas e sonhos. Impulsionada pelo avanço da técnica da dupla poda, que inverte o calendário da videira para colher uvas no inverno e, assim aproveitar o período da seca, a viticultura fluminense vive hoje uma fase de ampla expansão e muitos projetos.

É nesse cenário que surge a Terrabenta. Instalada em Paraíba do Sul, a cerca de 120 km do Rio, ela já nasce com pedigree: trouxe o lendário Adolfo Lona, enólogo argentino radicado há mais de 50 anos no Brasil, para supervisionar a produção. Lona é sinônimo de espumantes brasileiros de excelência e, aqui, encara um novo desafio: pela primeira vez em sua longa trajetória, está à frente de uma vinícola baseada na dupla poda.

Márcia Marinho, Adolfo Lona e Gabriela Beber (Fotos: Divulgação)

A propriedade tem 65 hectares, sendo cinco já ocupados por vinhas. O destaque fica com uvas que sabidamente se dão bem com a técnica da colheita de inverno: Syrah e Cabernet Franc somam quase 8 mil mudas. Além dessas, outras nove castas estão em fase de desenvolvimento, algumas ainda em caráter experimental, para avaliar sua adaptação ao terroir local. Entre elas, Malbec, Marselan e Tempranillo. As uvas brancas — Sauvignon Blanc, Chardonnay, Alvarinho e Viognier — estão sendo cultivadas com mais paciência, com a primeira safra prevista para 2026.

A colheita inaugural aconteceu na primeira semana de junho deste ano com a Tempranillo, e segue ao longo do mês com as demais castas. A estimativa para a primeira safra é de cinco mil litros, vinificados dentro de casa: a Terrabenta já conta com uma estrutura moderna, incluindo prensa pneumática, maceradores rotativos, barricas de carvalho francês com capacidade de 7 mil litros e foudres que comportam até 9 mil litros.

Primeira vindima da Terrabenta acontece em julho de 2025

À frente do projeto está a médica carioca Márcia Marinho, apaixonada por vinhos e agora também por terroirs. Ao lado do marido, o também médico Renato Manso, ela comprou a propriedade como parte de um plano de aposentadoria. “Estamos entendendo a região e muito entusiasmados com o potencial da terra”, diz Márcia. E o entusiasmo é palpável: além das vinhas, ela já dedicou 7 hectares ao reflorestamento da Mata Atlântica, com planos de chegar a 13 nos próximos anos.

A equipe técnica ainda conta com a jovem enóloga gaúcha Gabriela Beber e com o agrônomo Evalde Filippon, nome respeitado na viticultura nacional. Um time que mistura experiência e frescor, algo que também se espera dos vinhos que virão.

O projeto de enoturismo está nos planos e tem data para estrear: segundo trimestre de 2026. A vinícola prepara um receptivo de 2 mil metros quadrados, distribuídos em três andares, com salas de degustação, visitas guiadas e vista para os parreirais.

Projeção de como ficará a Terrabenta, com abertura para o enoturismo em 2026

Vinícola Terrabenta
Estrada do Passatempo, 3755 – Salutaris, Paraíba do Sul – RJ

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