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Exposição reúne arte indígena e tecnologias ancestrais no Flamengo

Por Simone Saltiel | Publicado em 25 de setembro de 2026

Arte, memória, território e tecnologia se encontram na exposição “Nhe’ẽ Se – Desejo de Fala”, que chega ao Rio nesta sexta-feira (28). A mostra reúne 30 obras de 13 artistas indígenas contemporâneos, representantes de 12 povos de diferentes regiões do Brasil, e ocupa a Galeria 2 do Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia, no Flamengo. A abertura acontece às 19h, e a visitação segue até 11 de outubro, de quarta a domingo, das 11h às 20h, com entrada gratuita.

Com curadoria da pesquisadora e antropóloga Guarani Nhandeva Sandra Benites e assistência de Rodrigo Duarte, a exposição propõe um olhar para os conhecimentos indígenas não como algo preso ao passado, mas como saberes que continuam sendo produzidos, transformados e compartilhados.

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A exposição reúne trabalhos que passam por diferentes linguagens e materiais. Fotografias, tecidos, redes, maracás, tramas de penas, esculturas e outros objetos aparecem em uma seleção que aproxima práticas ancestrais da produção artística contemporânea. Entre os nomes participantes estão Ana Maria Kariri, Glicéria Tupinambá, Keyla Palikur, Mayu Kuenan, Luakam Anambé, Mandacaru Karajá, Mandu, Paulo Desana, Sioduhi Waíkhun, Vilmone Guarani, Ypituna Pankararu e Ziel Karapotó.

Os trabalhos também abordam temas como sustentabilidade, memória, espiritualidade, identidade, território e resistência. Materiais como embaúba, taquara, pedras, peles de animais, entrecascas e pigmentos naturais aparecem em diferentes processos de criação. A proposta da mostra é justamente aproximar esses conhecimentos de discussões contemporâneas sobre tecnologia e futuro. Nesse contexto, práticas transmitidas entre gerações ganham novas formas por meio da fotografia, da performance, da instalação e de outras linguagens artísticas.

Entre as obras está um Manto Tupinambá confeccionado pela artista e pesquisadora indígena Glicéria Tupinambá. A peça foi apresentada na 60ª Bienal de Veneza, em 2024, quando a artista integrou o Pavilhão Hãhãwpuá, representação brasileira na mostra internacional.

A obra contemporânea parte dos conhecimentos tradicionais do povo Tupinambá da Serra do Padeiro e estabelece uma relação com os mantos históricos preservados em coleções europeias. A confecção levou cerca de oito meses e envolveu pesquisa histórica, diálogo com anciãos da comunidade e técnicas tradicionais. O manto reúne aproximadamente 5 mil penas, entre elas penas de peru e guará, além de cerca de 500 metros de linha de algodão encerada com cera de abelha do próprio território.

A presença da peça no Rio amplia uma discussão que atravessa toda a exposição: como conhecimentos ancestrais podem continuar vivos e ganhar novas formas de expressão no presente.

A chegada de “Nhe’ẽ Se – Desejo de Fala” também marca o início de uma nova programação artística do Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia. O espaço, no Flamengo, trabalha justamente na interseção entre arte, tecnologia e diferentes possibilidades de futuro. A exposição acrescenta a esse debate perspectivas de artistas indígenas e seus modos próprios de pensar território, memória, sustentabilidade e inovação.

Serviço
Nhe’ẽ Se – Desejo de Fala
Local: Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia, Galeria 2 | Rua Dois de Dezembro, 63 - Flamengo
Abertura: 28 de agosto de 2026 (sexta), às 19h
Período: 28 de agosto a 11 de outubro de 2026
Visitação: quarta a domingo, incluindo feriados, das 11h às 20h
Entrada gratuita

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