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Sylvia Martins

Sylvia Martins lança livro de memórias com trajetória de vida e arte

A artista plástica Sylvia Martins lança nesta terça-feira, dia 21, seu livro de memórias, que traz um caleidoscópio de imagens, textos, fotografias, poemas e obras, passando a limpo sua trajetória pessoal e profissional. As páginas mostram ingressos, convites, desenhos e memórias desde quando saiu do Brasil para Nova York, em 1978; passando pelos anos 1980, quando foi casada com o ator Richard Gere e frequentava festas de Andy Warhol; até chegar aos dias de hoje, em que divide seu tempo entre o Rio e seu estúdio no Soho, em Manhattan. Porém, como ela mesmo define, o livro não é uma autobiografia. “Eu chamaria de livro de artista. Está mais próximo de uma obra de arte visual do que as biografias convencionais”, afirma. 

Sylvia conta que, assim que se formou em Comunicação Social na Facha, em 1977, foi para Nova York mergulhar na vida de artista plástica. “Meu pai dizia que se eu quisesse viajar, teria que me formar. E por mais que adorasse o Rio, sabia que não era a cidade dos sonhos para uma jovem pintora”. Foi então que começou a escrever diários agitados e cheios de colagens e arte, como sempre foi sua vida. Foram 40 anos de anotações misturadas a ingressos, convites e desenhos, agora transformados em livro.

As páginas trazem ainda reproduções de muitas de suas obras – sempre em ordem cronológica – e textos escritos por autores que seguiram sua história. Pinturas abstratas e cheias de cor são sua marca registrada, características do action painting, movimento liderado por nomes como Jackson Pollock e que sempre influenciou o seu estilo. O conto visual é mais importante que sua história pessoal. O romance que viveu com Richard Gere e o casamento com o milionário grego Constantine Niarchos são citados apenas en passant no livro.  O ator de Hollywood, por exemplo, é mencionado na viagem do casal à Índia, quando conheceram Dalai Lama, e através de um texto para o primeiro livro de Sylvia, Fragments, dos anos 1990.

O livro, ora escrito em inglês, ora em português, mostra bastante da efervescência cultural e noturna na Nova York dos anos 1980, mas não só. Sylvia fincou sua base artística em Manhattan, mais especificamente no bairro do Soho, onde mantém um estúdio até hoje. Lá conviveu com os grandes artistas da época, como Andy Warhol, Basquiat, Keith Haring, Kenny Scharf, entre tantos outros. “Me falaram que eu precisava conhecer o Andy e, quando vi, estava na Factory (estúdio de arte fundado por Warhol e meca da pop art). Ele poderia ser muito ríspido com algumas pessoas mas, comigo, sempre foi muito gentil”, lembra. “Ele tinha um corpo incrível, pouca gente sabe. Já o vi se exercitando e, nossa!, perguntei como ele conseguia se manter em forma com festas e jantares todas as noites. E ele me disse que o segredo era só comer metade de cada prato”, relata Sylvia em um trecho do livro.

A artista também destaca suas inúmeras viagens a Bali: “o lugar onde fui mais feliz na vida”. Era para a ilha indonésia que ela e seu grupo de amigos fugiam das altas temperaturas do verão nova iorquino. Muitas obras de Sylvia foram pintadas lá,  em uma cabana sem luz que costumava usar como estúdio no meio de uma plantação de arroz. “As crianças das vilas próximas sentavam na porta e ficavam me vendo pintar. Eu nunca levei qualquer tipo de material para Bali, usava apenas o que encontrava nos arredores”.

Atualmente, a gaúcha de alma carioca divide seu tempo entre um estúdio em Nova York – onde mantém a rotina de pintar todos os dias – e um apartamento no Arpoador, e conta que suas viagens ao Rio estão cada vez mais frequentes. “Apesar de não ter nascido no Rio, eu o considero a minha cidade, a minha raiz. Quem sabe qualquer dia não venha e fique de vez?”.  O lançamento do livro Sylvia Martins vai acontecer no dia 21 de agosto, às 19h, na Livraria Argumento, no Leblon.

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