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Santiago de Compostela pelos olhos de Maria Alice Medina

No lançamento do livro “Do rock a Compostela”, realizado no Restaurante Victoria em novembro de 2018, Maria Alice Medina é paparicada pelos filhos Rodolfo e Jomar Jr. (Foto: Cristina Granato)

Há quase duas décadas, Maria Alice Medina decidiu abandonar o glamour que penetra o universo do maior festival de música do mundo, Rock in Rio, e se aventurar pelo Caminho de Santiago de Compostela. A viagem foi amor à primeira vista e, desde então, Medina nunca mais deixou de voltar ao local. No total, são 13 viagens ao caminho que leva os visitantes à cidade de Santiago, na Espanha, e toda vez é uma experiência ainda mais transformadora e única. “Estar no Caminho me abastece a alma. Retorno para caminhar, rever amigos que já vivem no Caminho e a cada viagem nada se repete… a natureza muda, o clima muda, os peregrinos são outros, nunca é novamente!”, diz Medina que acabou de retornar de mais uma ida à região, dessa vez na companhia de um grupo de 10 pessoas.

A relação que Maria Alice Medina tem com o Caminho é tão singular que ela decidiu compartilhar com o mundo inteiro no livro “Do Rock a Compostela: às vezes se ganha, às vezes se aprende”. Lançado em novembro de 2018, o livro, que une mais de 7 mil fotografias e vídeos produzidos na câmera de celular – que, aliás, só passou a ser um companheiro de viagem depois das primeiras peregrinações -, durante as muitas idas e vindas realizadas por Medina, e textos pessoais, vem para ser muito mais do que um possível guia: ele transporta o leitor para os momentos ali vividos, ajudando os peregrinos que desejarem explorar a região e/ou a si mesmo. “Quero que as pessoas se encantem, que façam suas próprias viagens sendo nas fotos, nas frases, nos textos, nos filmetes, que se permitam viagens menos óbvias, saindo da zona de conforto. Quero que eles caminhem na certeza de que ninguém chega a nenhum lugar, estamos de passagem, porque o Caminho nunca termina”, reflete.

O Caminho de Compostela é um dos principais pontos turísticos para aqueles que gostam de se aventurar e mergulhar em outra realidade, mas o que será que torna o lugar tão tocante? Em meio a monastérios, museus, albergues, festas e, claro, as tão famosas setas amarelas no chão que auxiliam na caminhada, os turistas são recebidos de braços abertos pelos peregrinos e, ao fim dos 30 dias de caminhada, já não há mais nada que os separe da experiência proporcionada pelo local, nem mesmo as diferentes crenças. Para Maria Alice Medina, é exatamente essa troca de energias que faz a caminhada ser transcendental. “A simplicidade da vida peregrina e essa troca de experiências com pessoas de muitos países que vivem realidades diferentes das nossas no Brasil me atraiu muito, sabe? A vida sem máscaras sociais… Todos os peregrinos se parecem. Percebe como nas praias as identidades se misturam? Então, no Caminho somos apenas peregrinos, cada qual com seus motivos, objetivos e desafios pessoais”, conta.

Hoje, fisioterapeuta e acupunturista, Maria Alice Medina pode até ter sido apenas mais uma a se permitir fazer parte de uma das mais tradicionais peregrinações ao redor do mundo. No entanto, o Caminho de Santiago de Compostela faz parte de quem ela é e todo dia ela mantém em mente o desejo de continuar compartilhando as lições enriquecedoras do Caminho com aqueles que ela esbarrar, seja através das páginas do seu livro ou nas diversas rotas que levam ao local. A cada dois anos, ela planeja um retorno ao lugar que tanto lhe ensina. E os planos para 2019, se dependerem dela, já estão traçados: refazer, no final de abril, o caminho Português à Compostela 12 anos após o primeiro encontro com essa rota. Não há como saber com o que ela vai se deparar ao chegar à região em Santiago, mas uma coisa é certa: a seta amarela estará lá para ser o guia mais importante do caminho de Compostela, seja hoje ou daqui a 19 anos.

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