Bem-Estar
Uma consulta dermatológica e a descoberta de que menos também é tratamento
Por Agenda Carioca | Publicado em 19 de março de 2026
Desde a pandemia, convivo com o melasma. Não sei precisar o dia exato em que ele apareceu. Antes disso, meu rosto tinha apenas sardinhas pequenas, daquelas que eu gostava e nunca tentei esconder. As manchas vieram depois. Vieram ficando. Vieram incomodando. A ponto de eu não conseguir mais olhar para o meu rosto sem maquiagem. A ponto de ir à praia maquiada, como se a base fosse uma armadura.
Existe todo um discurso conhecido sobre barreiras físicas, maquiagem como escudo para proteção solar. Tudo isso é verdade. Mas também existe o cansaço. Porque o melasma não é só uma mancha, ele mexe com a forma como a gente se vê.
Uma das minhas suspeitas, nunca confirmada, mas persistente, é que ele tenha surgido depois que comecei a fazer depilação a laser no rosto. As manchas apareceram exatamente nos pontos onde o laser era aplicado. Em determinado momento da consulta, ao ouvir essa hipótese, o médico foi claro: não foi a depilação a laser que criou o seu melasma, provavelmente você já tinha uma predisposição ao melasma. Some-se a isso o fato de eu amar praia, morar no Rio de Janeiro e viver em uma cidade onde o sol é praticamente permanente. E aí entra outra verdade cruel: para o melasma, não importa se o sol bate no rosto ou no corpo. Sol é sol.
Durante anos, fiz apenas consultas com dermatologistas de plano de saúde. Até que, por indicação de uma amiga, resolvi investir em uma consulta particular com o dermatologista Victor Bellizzi, que atende em São Paulo e, devido à alta procura, começou a atender no Rio de Janeiro recentemente, apenas alguns dias por mês. Ele é especialista em peeling ATA + Croton (um peeling químico e profundo) e na recuperação de cicatrizes. Entrei na fila. Tinha lido que esse peeling seria bom para quem tem melasma. Aguardava por essa consulta.
Cheguei ao consultório e fui surpreendida logo de cara. Nada de pressa, nada de fórmula pronta. Um questionário completo, uma anamnese de verdade, feita em tom de conversa, mas com extremo rigor técnico. Enquanto falávamos, uma ferramenta de inteligência artificial registrava tudo, criando um prontuário digital preciso, que não permite desencontros de informações, dados inconsistentes ou registros equivocados, algo fundamental em um atendimento médico sério. O prontuário ficava pronto ali, em tempo real.
Depois, o médico saiu da sala e pediu para eu me preparar para deitar na maca. Com uma lupa, examinou cada centímetro do meu corpo. Fez observações precisas. Questionou minha ingestão de água quando disse que eu bebia dois litros de água por dia. Descobriu, para minha surpresa, uma pinta na parte posterior da minha coxa, um lugar que eu jamais imaginaria como área de risco. Cabelo, unhas, couro cabeludo, nada passou despercebido.
Em determinado momento, ele perguntou sobre queda de cabelo. Eu respondi que tomava um medicamento. Ele riu, mas riu com seriedade. “Pelo amor de Deus, para com isso. Não faça isso com você.” E explicou, com calma, todos os motivos.
Eu, organizada como sou, havia levado uma bolsa só com a minha skincare. Todos os produtos que eu passava no rosto e no corpo. Ele nem precisou olhar. Foi direto. A skincare precisa ser descomplicada. Disse que ninguém precisa passar uma hora do dia cuidando da pele. Que o tratamento deve ir direto ao ponto, ao que incomoda.
Foi também nesse momento que ele me orientou, com clareza, sobre o que eu deveria e o que eu não deveria fazer em termos de procedimentos estéticos. O laser, por exemplo, tão indicado para tantos casos, não se aplica para mim. No meu rosto, qualquer coisa que gere calor é contraindicada. Calor alimenta o melasma. E faz pouco sentido usar um procedimento que ativa exatamente aquilo que eu quero tratar.
Os peelings que fiz durante muito tempo e que, num primeiro momento, pareciam funcionar, também entraram na lista de alertas. O resultado aparente escondia um efeito rebote. O mesmo aconteceu com algumas composições químicas que usei ao longo dos anos. Funcionavam por um período curto, mas depois deixavam sequelas. Manchas novas. Em alguns pontos, manchas brancas surgindo no meio das áreas escuras do melasma. A tentativa de correção acabava criando outro problema.
Saí da consulta com algo quase impensável nos tempos de hoje: simplicidade. Produtos essenciais, organizados e eficazes. Soro fisiológico, água micelar, um sabonete, um protetoral, dois filtros solares e outros dois produtos específicos, totalizando seis itens. E uma revelação que mudou tudo: eu lavava o rosto errado.
Ele me ensinou a lavar o rosto, a limpar a pele no fim do dia ou para remover a maquiagem e filtro solar, passo a passo: primeiro, soro fisiológico com algodão, depois a água micelar específica, e só então o sabonete com água.
Mais do que um protocolo, saí dali com um resgate. O da medicina bem feita. Do dermatologista sério. Da ciência. Victor Bellizzi foi claro ao falar sobre redes sociais e modismos cosméticos. Não adianta usar qualquer produto. É preciso evidência científica, estudos, comprovação de eficácia.
Victor Bellizzi hoje é conhecido em São Paulo por seus tratamentos, especialmente com peeling de fenol e recuperação de cicatrizes. Quem quiser conhecer seu trabalho, precisa correr. A agenda é disputada e, no Rio, ele atende apenas uma semana por mês.
Eu saí daquela consulta sem mil cremes e com algo muito mais valioso. Clareza e simplicidade da medicina.
Contato:
Victor Bellizzi: 21 99709-2737
@victorbellizzidermato
Texto por Maírah Rubim