Bem-Estar, Destaque, Sustentabilidade
Agenda 2030: Ciclos de vida –o olhar japonês que inova e perpetua
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 25 de agosto de 2020
Como já escrevi aqui, trabalho com estratégias de posicionamento e gestão com foco na construção de relacionamento com o cliente / consumidor a longo prazo.
E o que muda com o termo “a longo prazo”? Muda a narrativa. Muda a atenção. Mudam as expectativas. Muda o tempo das coisas. Mudam as métricas de avaliação. Ou seja, muda a forma de se olhar a evolução dos negócios. O “COMO” ganha força presente na conquista do propósito.
Propósito tem a ver com os ciclos de vida de produtos, razões para consumo no que tange formato, estética e função. E o ciclo de vida de uma empresa pode ser abreviado pelos problemas, ou ganhar força no enfrentamento desses mesmos problemas. Tudo depende da forma de se olhar para enxergar: o que é ameaça para uns, pode ser oportunidade para outros. Acredito que a chave mental para ver a oportunidade seja a inovação, que resolve o problema com consciência diferente (e amplificada) do qual foi criado.
Dos Rs de sustentabilidade, temos o “R” de reutilizar, que na ação significa dar outros usos para algo que, a priori, perdeu sua utilidade. Para dar dinâmica no ciclo de vida de algo é preciso trabalhar nossa mente sobre a forma que percebemos o fim das coisas, além do descarte rápido.
Lendo a newsletter da Cristal Muniz, autora do livro “Uma vida sem lixo”, me deparei com o conceito de Kintsugi, uma técnica de reparo de cerâmica com laca e pó de ouro aplicada pelos artesãos japoneses. Entendo que Kintsugi seja mais de que uma técnica japonesa, que significa reparo com ouro. Na verdade, é a arte japonesa de valorizar o que existe, construir a partir do que se rompeu ou quebrou, acrescentando novos significados.
Na cultura japonesa, as peças que recebem essa reparação são até mais valorizadas do que as intactas, porque a nova estética agrega valores como transitoriedade e impermanência, mostrando a evolução constante das coisas e da vida. Ou seja, a circularidade que todos vivemos do nada se cria, tudo se transforma.
Reparar. No português usamos esse verbo como sinônimo de “dar atenção a” ou “observar”. “Reparou no detalhe da blusa dela?” “Reparei um tom de fala mais ríspido”.
Então, reparar, observar e restaurar, para aumentar a utilização das coisas é uma maneira criativa de dar a vida mais vida. Na prática:
- Eletrodomésticos: Conserte, troque as peças, aplique adesivos com estampas, pinte com canetinhas coloridas.
- Roupas: Costure, remende, tinja com outra cor, aplique patches, transforme uma calça em bermuda, doe.
- Ambiente: Mude os móveis de lugar, tinja as capas do sofá, das almofadas, pinte as paredes, regue as plantas.
Conhecer a arte japonesa do Kintsugi e praticá-la me ensinou que reparar e reutilizar me ajuda a empreender uma vida mais consciente, mais criativa e menos dependente do novo, valorizando a construção de afetos e relação com as coisas e, principalmente, com as pessoas.
Nossa Agenda é a Agenda Carioca pelos objetivos da Agenda Global 2030.
