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Casa Roberto Marinho inaugura exposição inédita de Beatriz Milhazes

Por Alessandra Carneiro | Publicado em 25 de setembro de 2025

A Casa Roberto Marinho abre nesta quinta-feira, 25 de setembro, a exposição “Pinturas Nômades”, da artista carioca Beatriz Milhazes, uma das figuras mais reconhecidas da arte contemporânea internacional. A mostra traz pela primeira vez no país a reprodução de projetos arquitetônicos de sua obra. Sob curadoria de Lauro Cavalcanti, a exposição apresenta maquetes, estudos e painéis de projetos que Milhazes realizou em instituições e espaços públicos de quatro continentes (Europa, América do Norte,
América do Sul e Ásia), entre 2004 e 2023. São intervenções que transformaram fachadas, janelas e corredores de museus, estações de metrô, hospitais e prédios históricos em experiências imersivas de cor, luz e transparência — da Ópera de Viena ao Long Museum, em Xangai, passando pela Tate Modern, em Londres, e o Museu de Arte Contemporânea de Tóquio.

Jardim verde ocupou a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 2011

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A tapeçaria Dance in Yellow

O percurso na Casa Roberto Marinho convida o visitante a revisitar duas décadas de instalações site-specific, mas não se limita a uma retrospectiva. A mostra inclui ainda pinturas exibidas na última Bienal de Veneza, uma tapeçaria inédita (Dance in Yellow, 2020), além de um conjunto de 11 gravuras que revelam a relação da artista com a arte gráfica.

Corumbê, criada especialmente para a exposição

Logo na entrada da exposição, o visitante é recebido por Mariola (2010–2015), escultura suspensa que traduz para o tridimensional alguns dos elementos mais marcantes da linguagem visual de Beatriz Milhazes. A obra parece flutuar no espaço, ao mesmo tempo delicada e monumental, criando um diálogo direto com a arquitetura da Casa Roberto Marinho. Ainda no térreo, a instalação Corumbê, criada especialmente para a exposição, aplica vinis translúcidos nas janelas em arco do salão principal, em diálogo direto com o jardim projetado por Burle Marx e com referências às tradições populares de Paraty, cidade de origem materna de Milhazes. Ao lado, o painel Waving Flowers, pintado em cinco tons de cinza, contrasta a exuberância cromática habitual da artista, revelando novas camadas de sua pesquisa plástica.

Há também encontros inesperados: três obras de Djanira da Motta e Silva, pertencentes ao acervo da Casa, reforçam o elo entre duas gerações de mulheres centrais na arte brasileira. E, em um desdobramento raro, a exposição contará com apresentações da Marcia Milhazes Cia. de Dança, ampliando a experiência do visitante ao cruzar artes visuais e coreografia.

Mais do que um panorama, “Pinturas Nômades” mostra como a obra de Beatriz Milhazes se expande para além da tela e se inscreve no espaço urbano e institucional, transformando a percepção do ambiente e propondo novas formas de convivência entre arte, arquitetura e cotidiano.

Para quem deseja compreender por que a artista é hoje um nome incontornável da cena global, a visita à Casa Roberto Marinho não é apenas recomendada: é essencial.

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