Bem-Estar, Sustentabilidade
Covid-2019: projetos online ajudam comunidades indígenas
Por Antonia Leite Barbosa | Publicado em 17 de abril de 2020
Quando lê-se em um livro de história sobre todos os massacres que os povos indígenas brasileiros sofreram em prol de um bem capital, que nada lhes importavam, e etnocentrismo, questiona-se como algo tão cruel possa ter acontecido ao mesmo tempo que acredita-se que isso é apenas um passado histórico; incabível de repetição. Só que o mundo gira e, infelizmente, o ser humano é falho. Em meio a pandemia do Convid-19, diversas nações indígenas têm sofrido com a negligência governamental, de modo que coloca a existência deles em cheque.
Em vez de serem acolhidos com auxílios médicos e utensílios de prevenção contra o vírus, são atacados com invasões de garimpos, sendo a maioria propositais a fim de contaminação e uma possível disseminação do povo. De uma semana para cá, cinco mortes já foram confirmadas.
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Diante desse cenári0, diversos projetos e campanhas estão em vigor nas plataformas virtuais com o propósito de conscientização e auxílio prático para esses povos que vivem em comunidades e estão incapacitados de manterem a rotina em isolamento. A atriz, cantora e ativista Letícia Sabatella, que criou laços com a Nação Krahô durante um período que conviveu com eles em 2012 (do qual resultou um documentário dirigido pela própria), é um dos nomes à frente da causa com o “Salve Krahô”, um projeto cujo objetivo é arrecadar doações financeiras para serem revertidas em envio de itens de higiene, como álcool gel, e alimentos. “Os Krahô são muito exemplares para outras aldeias, porque eles são guardiões de semente, dos rios e do cerrado. Defender eles é defender tudo isso, além de defender outras aldeias”, afirma.
A mobilização tem acontecido em perfis no Instagram e Facebook por meio de histórias sobre os hábitos culturais e filosóficos dos Krahô, gerando empatia e, assim, uma maior identificação com a causa e incentivo para as doações. “Temos que colocá-los nessa posição de que eles podem nos ajudar, nos ensinar, ao mesmo tempo que estamos dando dinheiro e apoiando-os, fortalecendo a auto-estima da aldeia. É feito todo um trabalho para criar antipatia pelo modo de vida, como se eles não trabalhassem, não produzissem. As pessoas têm que conhecer e aprender com eles”, reflete.