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Exposição no Cosme Velho reúne 20 artistas e novos olhares sobre a pintura brasileira

Por Simone Saltiel | Publicado em 8 de setembro de 2026

Quem acha que a pintura brasileira contemporânea se resume aos grandes centros pode preparar uma mudança de perspectiva. A exposição “Nossa Arte — Novos olhares sobre a pintura brasileira contemporânea” reúne 20 artistas de diferentes gerações e regiões do país na Z42 Arte, no Cosme Velho. A mostra abriu nesta quarta-feira (9) e fica em cartaz até 31 de dezembro, com entrada gratuita.

Com curadoria de Paulo Tavares, Peralta e Fabio Szwarcwald, a coletiva coloca lado a lado trabalhos produzidos em contextos bastante diferentes, das periferias das grandes cidades às comunidades indígenas, cidades do interior e zonas rurais. A ideia é justamente ampliar o olhar sobre o que pode ser entendido como pintura brasileira contemporânea.

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Os artistas participantes vêm de estados como Amazonas, Pará, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. São trajetórias que passam por diferentes profissões, experiências e formas de aprendizado, e que nem sempre tiveram a formação artística tradicional como ponto de partida.

Um dos exemplos é Ademilson Felipe, de São José de Ubá, no noroeste fluminense. Depois de trabalhar no campo e na construção civil, começou a pintar usando tintas que tinha à disposição. O que começou nas paredes de casa acabou chegando às telas. Em outro caminho, Matheus Matias, da zona rural de Bananeiras, na Paraíba, começou desenhando com carvão nas paredes de casa ainda criança. Surdo, sem fala e com perda visual progressiva, encontrou na criação visual uma importante forma de expressão. Suas obras carregam elementos da natureza, flores e referências à arte sacra.

Também estão na exposição trabalhos de artistas que transformam em pintura as paisagens e manifestações culturais de seus territórios. É o caso de Rhuan, da Zona Oeste do Rio, que observa o encontro entre o urbano e o rural em Sepetiba, e de Rodorigo, que leva para as telas festas e personagens da cultura popular nordestina, como o São João e o Carnaval pernambucano.

A mostra também reúne nomes com décadas de trajetória, como Eli Bacelar, de Manaus, que começou a expor aos 15 anos e tem a Amazônia como uma das principais referências de sua produção, e Waldecy de Deus, baiano radicado em São Paulo, que construiu uma carreira desde o fim dos anos 1960, com trabalhos ligados a festas, religiosidade e manifestações populares.

Mais do que apresentar uma coleção de obras, “Nossa Arte” propõe uma conversa sobre os diferentes caminhos que podem levar alguém à pintura. A exposição questiona, inclusive, a divisão tradicional entre “arte popular” e arte contemporânea, mostrando que essas fronteiras podem ser bem menos rígidas do que parecem.

A visitação acontece de quarta a sábado, das 11h às 19h.

Serviço
Nossa Arte — Novos olhares sobre a pintura brasileira contemporânea
Local: Z42 Arte | Rua Filinto de Almeida, 42 - Cosme Velho
Data: até 31 de dezembro de 2026
Horário: quarta a sábado, das 11h às 19h
Entrada gratuita

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