20 anos

Patrimônio cultural

da cidade do

Rio de Janeiro

Arte & Cultura

Galeria Flexa encerra 2025 com duas novas exposições

Por Alessandra Carneiro | Publicado em 29 de novembro de 2025

A Galeria Flexa encerra o ano com duas mostras que reafirmam sua vocação para reunir diferentes pensamentos da arte brasileira — da experimentação ecológica às heranças construtivas. A primeira delas é Marlene Almeida: Veios da terra, exposição individual da artista paraibana cuja produção, desde os anos 1970, habita o encontro entre arte, ciência e ecologia. A mostra abre ao público no dia 29 de novembro, das 11h às 15h, e apresenta obras recentes que aprofundam o diálogo da artista com o solo como organismo vivo e agente de criação. A segunda exposição, que também abre em 29 de novembro sob direção artística de Luisa Duarte, reúne quatro nomes fundamentais da arte brasileira: Hélio Oiticica, Lygia Pape, José Damasceno e Emmanuel Nassar. A coletiva, que encerra o programa expositivo de 2025, propõe um diálogo intergeracional sobre como a herança construtiva e concreta se expande, se reinventa e se desvia ao longo das décadas. O texto crítico é assinado por Moacir dos Anjos.

LEIA TAMBÉM:
- 3 espetáculos de dança no Rio que você não pode perder

Marlene Almeida: Veios da terra

Há mais de cinco décadas, Marlene percorre o Brasil coletando amostras de terra e sedimentos que transforma em pigmentos, texturas e cores. Cada material carrega marcas de tempo e território, compondo um inventário que funciona como um mapeamento sensível do país. Nas obras produzidas entre 2019 e 2024, reunidas na mostra, ela explora os limites entre pintura e matéria, evocando gestos alquímicos e a transmutação dos elementos. Embora dialogue com debates contemporâneos sobre a crise climática, sua obra antecede essas discussões e propõe uma reflexão que vai além do diagnóstico — uma ética da cooperação entre corpo e terra, em que o humano deixa de ser centro.

Em Veios da terra, a artista reafirma a terra não como suporte, mas como presença pensante. O solo, tratado como organismo relacional, tensiona a ideia de paisagem e convida o público a repensar o vínculo entre criação e ambiente. O resultado é um recorte sensível e político de uma trajetória profundamente ligada ao fluxo da vida.

 Lá e cá: deslocamentos construtivos

A mostra coletiva, com obras de Hélio Oiticica, Lygia Pape, José Damasceno e Emmanuel Nassar, parte da tensão produtiva entre cálculo e sensorialidade, um eixo que atravessa a arte brasileira desde o neoconcretismo.

Em Lygia Pape, o rigor geométrico ganha respiros, intervalo e ritmo. Suas estruturas, especialmente os “livros”, convocam o corpo e o tempo, expandindo a percepção para além do cálculo. Já em Hélio Oiticica, a forma parte de sistemas seriais para, pouco a pouco, se libertar do plano: dos Metaesquemas aos Relevos espaciais, a pintura se move para o espaço, encontrando vitalidade no desvio.

José Damasceno e Emmanuel Nassar retomam a herança construtiva por outras rotas, aproximando objetos e signos do cotidiano de estruturas rigorosas, criando tensões entre o familiar e o estranho. Suas obras jogam com lógica e improviso, instaurando paradoxos que desafiam o olhar e ampliam as possibilidades da geometria.

Ao reunir essas vozes, a Flexa reafirma a potência da arte brasileira em metabolizar influências e reinventá-las. Mais do que seguir tradições, os artistas presentes — cada um à sua maneira — deslocam, contornam e subvertem o construtivismo, produzindo uma linguagem que pulsa no encontro entre disciplina e afeto.

Serviço — Marlene Almeida: Veios da terra
Abertura: 29 de novembro de 2025, sábado, 11h às 15h
Encerramento: 15 de janeiro de 2026
Local: Flexa — R. Dias Ferreira, 214, Leblon, RJ
www.flexagaleria.com

Serviço — Exposição coletiva (Oiticica, Pape, Damasceno e Nassar)
Abertura: 29 de novembro de 2025, sábado, 11h às 15h
Encerramento: 28 de fevereiro de 2026
www.flexagaleria.com

veja também

mantido por LinkTI