Carnaval, Destaque
Sócia do Alma Rio fala sobre o futuro dos camarotes da Sapucaí: ‘A revolução será conceitual’
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 9 de fevereiro de 2026
Com o Rio vivendo um de seus melhores momentos no turismo, o Carnaval entra no mesmo embalo, e a Sapucaí sente essa mudança de perto. O público também começa a se transformar. “Hoje recebemos mais estrangeiros, executivos e pessoas que planejam o Carnaval como uma experiência cultural completa”, observa Alessandra Pirotelli, uma das idealizadoras do Camarote Alma Rio, que em 2026 chega ao seu segundo ano na Avenida.
Alessandra é um dos nomes mais consistentes e visionários da hospitalidade carnavalesca. Ao longo de décadas, assinou projetos que ajudaram a redefinir o conceito de camarote, como Camarote Rio, Nosso Camarote e CarnaUOL. Com olhar atento às transformações, ela acredita que a próxima grande virada do Carnaval não será estética. “A revolução será conceitual. Menos excesso, mais significado. Menos quantidade, mais qualidade”, resume.
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É exatamente esse pensamento que sustenta o Alma Rio. “O Alma nasce de uma visão muito clara sobre hospitalidade contemporânea. Não é apenas um camarote, é um projeto de experiência”, define. Com formação ligada à tecnologia e uma trajetória marcada pelo pioneirismo, Alessandra construiu sua reputação apostando menos no óbvio e mais na curadoria. “O diferencial está nisso: curadoria de pessoas, de serviços, de música, de arquitetura e até de comportamento”.

Essa lógica se traduz no conceito que guia todo o projeto. “Trabalhamos com a ideia de luxo silencioso. Tudo é sofisticado, mas sem ser ostensivo. Fluido, sem excessos.” Em um Carnaval cada vez mais disputado por marcas, ativações e estímulos visuais, o Alma Rio escolhe ir na contramão. E faz disso sua assinatura.
O respeito ao desfile é um dos pilares do camarote. Em meio às críticas aos espaços que competem com a avenida, Alessandra é direta: “A vista para o desfile é protagonista. O conforto é real, mas a experiência acontece sem competir com a escola de samba. Isso é uma escolha conceitual e ética.” A questão do som também é tratada com rigor técnico. “Trabalhamos com isolamento acústico, direcionamento de caixas e controle de decibéis. O desfile é o espetáculo principal. O camarote existe para acolher, não para competir.” Para ela, essa postura é, acima de tudo, uma forma de respeito — às escolas, ao público e à cidade.
Esse cuidado conversa diretamente com o novo perfil de quem frequenta a Sapucaí. “O público mudou e se sofisticou. As pessoas buscam qualidade, segurança e uma história para viver”, diz. “E isso exige projetos mais responsáveis e bem estruturados”.
Sempre à frente do seu tempo, Alessandra também leva para o Carnaval sua relação próxima com tecnologia. Autora do livro Carnaval Arte – Faces, lançado quando a inteligência artificial ainda era tema de nicho, ela enxerga a inovação como aliada, nunca como fim. “A tecnologia entra para apoiar decisões, gestão, sustentabilidade e eficiência operacional. Mas o olhar humano continua sendo o centro. Carnaval é emoção, é corpo, é presença”.
Em 2026, o Camarote Alma Rio acontece em seis datas — 13, 14, 15, 16, 17 e 21 de fevereiro — reunindo mais de 60 horas de música em uma programação intensa e bem pensada. O line-up mistura nomes internacionais como WhoMadeWho, Black Coffee, Jamie Jones e Bob Moses, com artistas brasileiros como Gilsons e Mart’nália. A experiência se completa com circulação inteligente sem filas, áreas de descanso, spa, lounge externo com vista privilegiada para os desfiles, open bar premium e gastronomia de alto padrão, com bufê assinado pela chef Morena Leite, em parceria com o Capim Santo.