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Bordado e poesia: a passagem do tempo e a arte de Paula Costa
Por Antonia Leite Barbosa | Publicado em 3 de outubro de 2017
Nessa quinta-feira, 5 de outubro, a artista plática Paula Costa promete surpreender os cariocas com a nova individual Transborda, novidade que promete atrair curiosos ao Espaço Movimento Contemporâneo, no Horto. Dedicada a criar arte com matéria orgânica, a artista costura sobre frutas, verduras, flores e plantas, histórias pessoais e memórias que dão forma às inusitadas esculturas e instalações.
Diferente de um quadro ou instalação, nada ali foi feito para durar. Inspirando uma reflexão sobre a finitude e a passagem do tempo, as obras orgânicas sofrem transformações naturais e são finalizadas pelo tempo. Ao longo da mostra, acabam secando, apodrecendo e ganhando outra cara. Consequentemente, à exposição como um todo está sempre se modificando, e terminando. Formada em Comunicação e com uma carreira bem-sucedida na moda - tem nomes como Farm, BB Básico e Coca Cola Jeans no currículo, além de ter criado o saudoso Gavea Garage -, Paula encontrou na beleza do fim uma maneira de se relacionar com sua própria história, levando em conta ainda que perdeu os pais ainda jovem. “Tenho a sensação de estar falando as mesmas coisas, em todas as profissões que tive e a cada trabalho que realizei. Acredito na soberania da vida e que toda arte, por mais bela que pareça, ainda seja uma evolução de meras pinturas rupestres. Minha maneira de afirmar minha passagem pelo mundo é aceitando o tempo de duração das coisas”, afirma. Num processo criativo de contínuo desapego - às horas dedicadas à preparação de cada instalação e ao seu resultado final -, a arte de Paula assume vida útil como o "esqueleto" de seu propósito. E a fotografia se encarregada de congelá-la no tempo.