Destaque, Estilo
Bruno Dantte lança marca de cosméticos e divide segredos para cabelos cacheados
Por Alessandra Carneiro | Publicado em 25 de junho de 2021
A carreira nos salões de beleza começou meio por acaso e por força do destino. Ainda adolescente, Bruno Dantte aceitou um emprego de "faz-tudo" no salão do tio apenas para ter um salário. Sua ideia não era seguir a carreira. Mas foi ficando, aprendendo, se desenvolvendo, e o que era um emprego temporário, virou sua profissão. Aliás, mais do que isso: hoje é um estilo de vida e um vasto negócio - são sete salões com sua assinatura, no Rio, São Paulo e Portugal, na cidade do Porto; uma empresa de cosméticos para cabelos reais que acaba de ser lançada, a Curly Care; e um bem-sucedido curso digital.
Já apaixonado pela área, Bruno Dantte carimbou seu estilo indo na contramão da tendência de alguns anos atrás. Quando todas queriam alisar os cabelos e os profissionais focavam na escova perfeita, ele decidiu apostar na naturalidade dos cachos. Mais que isso: ele entendeu a necessidade de cada cliente, e que abandonar o alisamento não é apenas uma mudança de cabelo, mas o encontro com um novo comportamento. "Não é só uma questão de estética, uma transição capilar não é só tipo uma moda ou um estilo, é um reencontro com o seu cabelo, com a sua identidade, com aquilo que é seu".
Na entrevista a seguir, Bruno Dantte conta um pouco da sua história, dá dicas para quem está em processo de transição capilar e divide alguns segredinhos para o cuidado dos cabelos.
Você já foi chamado de "mago dos cachos" e começou a se especializar em cabelos ondulados, cacheados e crespos em uma época que a ditadura da chapinha ainda reinava por aqui. O que te motivou a investir nos cabelos naturais?
Eu comecei a trabalhar com cabelos naturais porque eu não gostava de fazer escovas, não gostava de fazer chapinha, eu não gostava de fazer alisamentos. E um dia eu ouvi falar que lá nos Estados Unidos as mulheres estavam deixando de alisar o cabelo e usando seus cabelos naturais e que tinha uma comunidade no Orkut, no Brasil, onde as mulheres brasileiras estavam começando esse movimento. Eu entrei nessa comunidade e comecei a ter contato com esse universo, só que não tinha profissionais, não tinha onde aprender. A partir daí eu comecei a criar, testar, inventar e desenvolver o que eu faço hoje.
De 2017, quando você abriu seu primeiro salão na Barra da Tijuca, até hoje, com a sétima loja aberta entre unidades no Rio, São Paulo e até Portugal...a que você credita esse crescimento tão rápido?
O meu crescimento se deu rápido depois que eu abri o meu primeiro salão por alguns fatores que eu acho primordiais. Primeiro porque sou um dos caras que começou esse movimento, então, eu estou dentro dele há doze anos. Sei exatamente como ele funciona, o que as pessoas procuram e a necessidade do mercado. Segundo ponto é que eu sou formado em Administração, então o meu negócio não é somente de um cabeleireiro que quis montar um salão, eu trago também todas as técnicas administrativas, todo meu conhecimento da faculdade usei ali. E outro ponto é que o meu salão é pensado como um oposto ao salão tradicional, a gente funciona totalmente diferente. É realmente um salão para atender não só o cabelo natural, mas o comportamento dessa cliente que quer usar um cabelo natural.
Qual dica você daria para quem quer fazer a transição de um cabelo alisado para o natural?
A dica que eu dou para quem quer fazer uma transição hoje é primeiro entender que uma transição capilar não é só uma mudança de cabelo, mas é uma mudança de comportamento. É entender que as pessoas vão ser preconceituosas porque, boa parte ou a grande maioria, ainda não aceita o cabelo natural, principalmente se ele é crespo. Não é só uma questão de estética, uma transição capilar não é só tipo uma moda ou um estilo, é um reencontro com o seu cabelo, com a sua identidade, com aquilo que é seu, uma característica sua, aquilo que você foi ensinado a não gostar, a não comemorar, a não ver beleza. É o desfazer desse processo, é o desconstruir tudo que a gente foi ensinado sobre beleza, padrão de cabelo e preconceito. Isso na parte psicológica da coisa. Na parte prática é ter em mente que é um cabelo totalmente diferente do que sempre se usou. Então, tudo que você aplica em um cabelo que é alisado, não se usa no natural. Ela precisa aprender tudo que um cabelo natural precisa para que ela passe por esse momento.
Quem quiser cortar o cabelo com o Bruno Dantte, em que unidade ir e como fazer?
Hoje eu atendo em São Paulo, na capital do Rio e em São José, que é interior de São Paulo, que é onde eu moro atualmente. Então tenho uma agenda no Rio e em São Paulo. No meu Instagram tem todos os endereços nos destaques e a pessoa pode mandar uma mensagem no direct que a gente também informa as unidades, endereço, link de agendamento, tudo direitinho.
Com tantas unidades e previsão de expansão, como fazer para manter o seu padrão de qualidade e cuidado?
A gente tem uma filosofia de trabalho bem definida, onde eu tenho uma equipe de gerentes e esses gerentes são orientados pela minha equipe administrativa. Tudo o que a gente decide é passado para as gerências, que colocam em vigor nas unidades. Se algo não acontece como planejado, a gente cobra a quem é de direito, que são os gerentes das unidades, que estão acima dos funcionários. Ao mesmo tempo nós damos bastante liberdade para os profissionais trabalharem e criarem, mas somos bastante rígidos no respeito a nossa filosofia, que é trabalhar com a verdade em vez de só vender serviço para a cliente, realmente orientá-la e ensiná-la em tudo que ela precisa. Orientamos a não deixá-las com dúvida e fazer um atendimento totalmente particular, baseado nas características dela, na rotina de vida que ela tem, na dificuldade que ela tem, não existe um padrão a ser utilizado para todos. O padrão técnico é que a gente tem que individualizar cada atendimento.
Como você vê as tendências para os cabelos para o próximo verão?
Cabelo cacheado não tem isso! Não existe mais a "tendência". A gente fala de liberdade, a gente fala do que você quer usar. Então, as mulheres estão com vontade de usar tal coisa, elas começam a usar e aquilo vira uma tendência pela quantidade de gente que está usando. Uma mulher decidida a fazer uma franja, tem vontade, dá pra fazer? Faz. A outra vê, quer fazer também e aí é a partir dessa uma que as outras coisas vão acontecendo. Antes não era assim, né? Alguém, ou algum cabeleireiro, alguma marca, ditava uma tendência que era da cabeça dela e pronto. Hoje em dia não tem essa coisa de cabelo curto pro verão, cabelo longo para o inverno. Cores quentes pro inverno, cores frias pro verão. A gente não segue esse padrão não. Agora é: qual é o teu momento, você está afim de quê? Se estiver na vibe de um cabelo curto, então a sua tendência é um cabelo curto. Se tiver na vibe de deixar o cabelo crescer, então, a tendência para você, é deixar o cabelo crescer.
Quais são so produtos/rotinas que não podem faltar em casa nos cuidados dos cabelos?
Todos aqueles que se enquadram numa filosofia chamada low poo e no poo, que são produtos livres de sulfatos, petrolatos, silicones, óleos minerais, parafina líquidas e óleos sintéticos. Como os produtos da Curly Care, a marca que acabo de lançar como co-criador. Tudo que esteja dentro dessa filosofia é obrigatório para quem quer ter o cabelo natural. E ter rotina é essencial. Pelo menos, uma vez na semana dar uma atenção para o cabelo. Cabelo bonito é cabelo tratado e precisa de rotina. Aquela história de não fazer nada no cabelo e de três em três meses ir no salão fazer uma hidratação não existe. Então, hoje, o melhor cuidado e resultado é a rotina.
Se você pensar em um cabelo de uma famosa, do Brasil ou do mundo, quem você gostaria de ter sob seus cuidados?
Eu sou apaixonado pela Taís Araujo, ela é uma pessoa que eu queria ser amigo, queria mesmo ter contato com ela. É uma mulher maravilhosa, como pessoa mesmo, e tem um cabelo maravilhoso. Então, é o meu sonho atendê-la. Eu realizei um sonho que eu tinha de atender a Vanessa da Mata, atendi e, de vez em quando, ainda atendo. Tem outras mulheres maravilhosas no Brasil, como Juliana Paes, Paolla Oliveira e Sheron Menezes, que são mulheres com cabelos maravilhosos e a naturalidade deles são melhores ainda. Fora do Brasil, a gente tem a Beyoncé como um ícone, né? Mas a Beyoncé tem aquela personalidade camaleoa, de usar vários tipos de cabelo e está ótimo, está perfeito. Mas um sonho que eu tenho é atender a cantora Alicia Keys. Eu sou apaixonado por ela, sabe? Namoraria, casaria com ela (risos). E também a atriz Lupita Nyong'o, também sou apaixonado.
Por último, que dica você daria para quem está começando na área?
Estude bastante, pratique muito antes de começar a atender e saiba fazer bem o serviço. A mulher cacheada e crespa, principalmente, já passou por experiências muito ruins com o cabelo, tem traumas de infância e adolescência com o cabelo, nunca experimentou o cabelo natural como ele pode ser. Então, ela precisa e ela merece uma experiência boa. E só vai dar uma experiência maravilhosa para esse cliente quem for muito bom. E pra ser muito bom, você tem que estudar e praticar. E por que eu falo de experiência? Quando eu comecei nessa área e decidi assumir essa profissão de cabeleireiro de cabelos reais, eu transformei o meu atendimento em uma experiência e não somente em um atendimento, justamente por esse pensamento. Eu queria ser esse profissional e eu consegui me tornar ele. Isso trouxe muitas clientes, muito carinho pelo meu trabalho, muita admiração e que consequentemente fez o crescimento todo. Mas é preciso ser bom, porque esse profissional prestará um atendimento para uma cliente que está cansada de ser maltratada. Ela quer experimentar um atendimento mais empático, mais humanizado, com menos preconceitos, onde ouçam mais ela, deem mais voz, onde respeitem seu cabelo, enfim, a melhor experiência.
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