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‘O Agente Secreto’ tem sessão estrelada no Festival do Rio

Por Alessandra Carneiro | Publicado em 8 de outubro de 2025

A terça-feira foi dia da estreia de O Agente Secreto no Festival do Rio, novo longa de Kleber Mendonça Filho, selecionado Hors Concours da Première Brasil. Em clima de celebração e expectativa, o Cine Odeon recebeu o elenco, a equipe e uma plateia lotada de vips para a exibição do filme, escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2026 (podendo aparecer também indicado em outras categorias). Antes, pela manhã, parte da imprensa esteve presente a uma sessão no Estação Net Botafogo, que ganhou um objeto de cena do longa: o orelhão laranja que guarda uma surpresa para os que tirarem o telefone do gancho.

Subindo ao palco do histórico Odeon — casa de tantas histórias do audiovisual brasileiro — Wagner Moura emocionou o público ao lembrar da importância do festival e da própria sala de exibição em sua formação artística, e se mostrou "gente como a gente", lembrando que costumava fazer maratonas de filmes nos primórdios do Festival do Rio, assim como tantos de nós. “O Festival do Rio é um negócio importantíssimo na minha vida. Quando eu cheguei de Salvador, eu comprava cinco, seis ingressos, pra ficar o dia inteiro vendo filmes. Esse festival formou a minha cabeça como pessoa que ama cinema. Dentro desse cinema, um dos mais lindos do Brasil, tive tantas memórias incríveis”, disse o ator, aplaudido pelo público que lotou os mais de 500 assentos da sala.

Foto de Wagner Moura na sessão de O Agente Secreto no Cinema Odeon no Festival do Rio
Wagner Moura esteve presente na estreia de 'O Agente Secreto' no Festival do Rio (Foto:  Christian Rodrigues)

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O diretor Kleber Mendonça Filho também resgatou antigas memórias do festival em um vídeo, projetado antes da sessão. “Como crítico, eu via 30, 35, 40 filmes em duas semanas e queria muito estar com vocês”, comentou o cineasta. “O Agente Secreto é um filme muito brasileiro que tem se comunicado muito bem fora do Brasil também. Um filme sobre a nossa forma de lembrar, uma forma muito brasileira de lembrar, que eu acho que passa muito por esquecer também".

O filme chega ao Rio após uma trajetória internacional de sucesso. A jornada começou em Cannes, em maio, quando o longa competiu pela Palma de Ouro e voltou para casa com dois prêmios históricos: Melhor Direção, para Kleber, e Melhor Ator, para Wagner Moura, concedidos pelo júri presidido por Juliette Binoche.

Um thriller político à brasileira

Ambientado no Brasil de 1977, o longa acompanha Marcelo (Wagner Moura), especialista em tecnologia que vive foragido após se envolver em circunstâncias obscuras. Durante o carnaval, ele retorna a Recife para reencontrar o filho e reconstruir a vida, mas descobre uma cidade tomada por tensões políticas e sociais. Entre militantes da resistência e agentes da repressão, o protagonista precisa se manter invisível em um país sob vigilância. A narrativa combina suspense noir e drama, explorando silêncios, memórias e o medo como matéria-prima.

Com fotografia que homenageia o cinema americano dos anos 1970 — citando referências como Robert Altman e Brian De Palma, e filmado com lentes Panavision anamórficas —, Kleber cria uma atmosfera nostálgica e ao mesmo tempo profundamente brasileira.

“Kleber sabe criar um clima de suspense como poucos. Ele tem uma relação emotiva com os anos 70 — foi quando ele mais ia ao cinema. O Agente Secreto carrega tudo isso, mas com um olhar nordestino, nosso”, resumiu Moura no tapete vermelho.

Expectativa para o Oscar e nasce uma estrela

Tânia Maria é Dona Sebastiana em 'O Agente Secreto' (Foto: Divulgação)

Em meio a recepções calorosas nos festivais ao redor do mundo, O Agente Secreto foi apontado pelo The Hollywood Reporter como um dos favoritos para a indicação também de Melhor Filme. Outras categorias que a publicação americana coloca suas fichas no filme brasileiro são Ator, para Wagner Moura, Direção, Roteiro Original e aponta que pode surpreender com uma indicação de Melhor Atriz Coadjuvante para a novata Tânia Maria, que rouba as cenas em que aparece no filme.

Em O Agente Secreto, Tânia interpreta a apaixonante Dona Sebastiana, que dá abrigo para Wagner Moura (e outros "refugiados" políticos) em Recife.

Aos 78 anos, a atriz potiguar começou a carreira aos 72 anos por acaso, como figurante em Bacurau, também de Kleber Mendonça Filho. Sobre uma possível indicação, ela foi categórica em entrevista recente para o Jornal O Globo. "Não sei nem o que é Oscar, mas fiquei contente".

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